5.7.05

Ronaldo, o eqüino

Era noite de calor na cidade. O tédio tomava conta de mim e nada conseguia pensar ou fazer. O calor era tão forte que suava pelos subacos. O odor penetrava minhas narinas como um falo ereto penetra uma vagina sedenta. Surge então, no horizonte, um eqüino. Sim! Lá estava a resposta para meu tédio. Dominaria o animal e sairia a galopes desenfreados, nu, pois assim me encontrava. Em questão de segundos, tudo já estava planejado em minha mente, pegaria a linha de nylon dentro de mochila para enforcar o eqüino, caso ele fosse selvagem e brusco.

O pangaré chegara próximo de mim, sem medo. Fizemos amizade e chamei-o de Ronaldo. Percebi que de seus dentes reluzia um brilho intenso e quando analisei a boca de Ronaldo, vi que seus dentes eram todos de ouro. Logo, novos planos dominaram minha cabeça, mas desta vez, planos malignos. Arrancaria com meu alicate todos os dentes de Ronaldo. Enfim uma oportunidade para mim! Arrancaria todos os dentes dele e faria colares lindos, vendendo todos para a burguesia e para políticos da cidade.

Estranhamente, percebia algo errado no ar. Parecia que por instinto, Ronaldo sabia o que eu pretendia fazer com ele. E, antes de qualquer tentativa de extração dos dentes dele, o nylon, enrolado em meu pulso, em um golpe forte, se enrosca em minha glande e logo em seguida ao poste de luz amarela. Ronaldo, então com uma cara endiabrada, começa a correr feito um filho da puta, como se tivessem enfiado um dedo em seu ânus, e em um momento a glande é arrancada de mim com tanta força que gotas de sangue grosso e quente pingam em meus lábios, sentindo assim o sabor do arrependimento.

Já sem noção alguma, não sabendo o que era real ou irreal, me vejo no chão, todo ensangüentado, e Ronaldo olha dentro de meus olhos e continua seu rumo, se perdendo no horizonte.